Chega ao fim neste sábado (05) a décima edição do Congresso Internacional de Oncologia D’Or – o Onco in Rio, consagrado como o maior evento do país voltado à oncologia. Realizado no Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o congresso reuniu mais de 11 mil inscritos e mais de 300 especialistas nacionais e internacionais para discutir os principais desafios e inovações no diagnóstico, tratamento e cuidado com pacientes oncológicos.
Ao longo de dois dias, o evento promoveu um debate profundo e diversificado sobre o futuro da oncologia, com foco não apenas em técnicas médicas, mas também na importância do olhar integral ao paciente. A programação contou com painéis sobre cuidados paliativos, controle da dor, câncer de mama, medicina de precisão e avanços em exames moleculares. Além disso, o uso da Inteligência Artificial (IA) na oncologia foi um dos pontos altos das discussões.
“Queríamos um evento que fosse além da oncologia tradicional. Por isso, trouxemos especialistas de diversas áreas da saúde para pensar em soluções integradas. A abordagem multidisciplinar é essencial para garantir uma jornada de tratamento mais eficaz e humana”, explicou o presidente da Oncologia D’Or, Paulo Hoff.
A IA, inclusive, ganhou destaque especial. De acordo com o cirurgião Carlos Domene, coordenador do curso de capacitação em robótica do IDOR, o uso de algoritmos e tecnologias preditivas já é uma realidade em muitas etapas do tratamento, desde a triagem até a cirurgia assistida por robôs. “O impacto positivo da IA é inegável. Estamos diante de uma revolução silenciosa que vai mudar a medicina como conhecemos”, declarou.
A anestesiologista Mariana Junqueira também destacou como a tecnologia pode ser aliada do cuidado, sugerindo, por exemplo, o uso de IA para criar conteúdos educativos mais acessíveis sobre o uso de opioides, contribuindo para a adesão do paciente e o controle mais eficaz da dor.
Entre os dados mais impactantes apresentados durante o congresso está o de que cerca de 10 milhões de pessoas morreram em 2019 por causa de algum tipo de câncer. Segundo a oncologista Alexandra Khichfy, isso reforça a urgência de ampliar o acesso a exames e investir em detecção precoce. “Hoje, com o diagnóstico antecipado, temos taxas de sobrevida altíssimas, como 90% em cinco anos para câncer de intestino e até 100% para câncer de mama. A ciência está avançando, mas o acesso precisa acompanhar esse ritmo”, afirmou.
Outro ponto forte da programação foi a valorização do trabalho em equipe na jornada do paciente oncológico. A oncologista Nathália Del Rey ressaltou que o entendimento do câncer como uma doença sistêmica demanda uma atuação coordenada entre diferentes especialidades. “Quando pensamos o câncer como algo que afeta o corpo como um todo, entendemos que o tratamento não pode ser isolado. É preciso integrar esforços para melhorar a qualidade de vida do paciente e suas chances de cura”, pontuou.
Além de reforçar a relevância científica, o Congresso Onco in Rio reafirma seu compromisso social ao fomentar um espaço de troca de conhecimentos, atualização profissional e humanização do cuidado oncológico no Brasil. As perspectivas para o futuro incluem desde terapias personalizadas com base em perfil genético até a ampliação do uso de plataformas digitais no acompanhamento clínico.
Serviço:
Evento: X Congresso Internacional de Oncologia D’Or – Onco in Rio
Data: 04 e 05 de abril de 2025
Local: Windsor Oceânico – R. Martinho de Mesquita, 129 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Mais informações: Site oficial do congresso