90 anos da Batalha da Sé: O Dia em que São Paulo Rechaçou o Fascismo Brasileiro

O confronto entre militantes antifascistas e integralistas em 1934 expôs as tensões políticas da época e revelou a fragilidade do movimento liderado por Plínio Salgado.

por Redação

Nesta segunda-feira (7), a chamada “Batalha da Sé” completa 90 anos, um marco histórico que, apesar de sua relevância, permanece pouco explorado no imaginário popular. O evento, que ocorreu em 7 de outubro de 1934, em pleno centro de São Paulo, foi um dos mais contundentes confrontos entre os defensores da democracia e os adeptos do fascismo no Brasil. Na ocasião, aproximadamente 8 mil integralistas, membros da Ação Integralista Brasileira (AIB), foram derrotados e expulsos por um grupo heterogêneo de militantes socialistas, anarcossindicalistas, comunistas e democratas.

O episódio, também conhecido como a “Revoada dos Galinhas Verdes”, faz referência ao uniforme verde dos integralistas, que fugiram em desordem pelas ruas da capital paulista após o embate. A violência culminou na morte de Décio de Oliveira, um jovem comunista, e deixou diversos feridos, inclusive entre as forças policiais, que, na época, apoiavam o movimento integralista.

Embora a batalha tenha sido decisiva para enfraquecer o movimento fascista no país, sua relevância histórica tem sido ofuscada com o passar das décadas. A memória da Batalha da Sé, com toda sua complexidade política, é um espelho dos conflitos que marcaram o Brasil na primeira metade do século XX, refletindo as influências ideológicas que chegaram do exterior e a forma como elas se manifestaram no cenário nacional.

Ao revisitar esse confronto, percebe-se não apenas a força das resistências populares à ascensão de ideologias autoritárias, mas também a fragilidade dos integralistas, que, apesar do apoio inicial que gozavam entre as elites conservadoras e parte do aparato estatal, mostraram-se incapazes de resistir à união das forças progressistas. O próprio Barão de Itararé, famoso humorista da época, sintetizou o ridículo da situação na célebre manchete de seu jornal: “Um integralista não corre: voa”.

A “Revoada dos Galinhas Verdes”, mais do que um simples episódio de violência política, foi uma demonstração clara da capacidade de mobilização das forças antifascistas, que, em um contexto de crescente polarização global, conseguiram impor uma importante derrota àqueles que pretendiam instaurar um regime inspirado no nazifascismo europeu. Em um momento em que a democracia brasileira ainda estava em construção, o embate foi um recado contundente: o fascismo, ainda que importado, não passaria sem resistência.

Contudo, a fragilidade da memória coletiva em torno desse evento levanta questões sobre a forma como a história do antifascismo é tratada no Brasil. Diferente de países como Itália e Alemanha, onde as derrotas do fascismo são parte integral do discurso nacional, a Batalha da Sé permanece um episódio relativamente marginalizado, apesar de sua relevância para a consolidação de valores democráticos no país.

A Batalha da Sé precisa ser revisitada, não apenas como um evento isolado, mas como um símbolo das lutas que moldaram o Brasil moderno. Ao lembrarmos dos 90 anos desse confronto, fica o alerta sobre os perigos do esquecimento histórico e a necessidade constante de defender os ideais de liberdade e democracia frente a qualquer ameaça autoritária.

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